Sabia que...
Estudos demonstram que as crianças entre os 2-7 anos, no Canadá, EUA e Austrália passam até 7h por dia em “tempo de ecrã”.[i][ii] Já na Europa, 57,2% dos adolescentes da Eslováquia e 42,6% da República Checa, passam mais de seis horas nesse tipo de atividades.[iii] Também em Portugal se verifica esta tendência: 54,3% das crianças entre os 11 meses e os 6 anos e meio têm um tempo de ecrã diário superior a 2 horas. [iv] [v]Estudos reportam impacto do “tempo de ecrã” na deterioração das competências sociais das crianças[vi] e na interação familiar.[vii]
Ora se cada vez mais as crianças passam tempo sozinhas, interagindo com os ecrãs, não estarão estes a roubar tempo à família? (E, já agora, não se foque só na sua criança, procure quantificar o número de horas por dia que “está agarrado” ao seu telemóvel, computador ou TV). Estaremos nós a roubar tempo de interação pais-filhos, tempo do mimo, dos afetos, da interação positiva e do brincar? Qual será o impacto desta situação no desenvolvimento do seu/sua filho/a? E na sua família?
Aproveitando o tempo de Verão e as férias, vimos propor-lhe que reflita sobre o tempo que passa com o seu/sua filho/a. Sabia que brincar é um direito da criança (artigo 31º da Declaração Internacional dos Direitos da Criança)? É uma necessidade central para o desenvolvimento de competências cognitivas, emocionais, sociais e motoras. Sabia que o brincar permite à criança aprender quem é e do que é capaz, descobrir o outro e interpretar o mundo? Contribui para a criação e aprofundamento de relações seguras, estimula o desenvolvimento da linguagem e da expressão emocional, potencia competências sociais e a autoestima e o desenvolvimento de auto-conceitos positivos.
Por isso, garantir que a criança dispõe de tempo para brincar livremente ou de modo mais estruturado, a sós ou acompanhada, é AMÁ-LA. [viii]
Deixamos, por isso, a sugestão de uma atividade que pode construir com o seu filho e aconselhamos que dedique 1h/dia a aplicá-la em conjunto:
1) Em colaboração, façam uma lista de brincadeiras que considerem que possam ser momentos de interação positiva entre pais/mães e filhos/as (deixamos algumas dicas: p. explo. fazer bolos ou bolachas, ajudar na preparação das refeições, fazer puzzles, ler um livro em conjunto e até dramatizá-lo, jogar jogos de tabuleiro, organizar uma festa temática, brincar aos restaurantes, aos médicos, etc, fazer pic-nic’s, desenhar ou pintar, caminhadas exploratórias na floresta, praia e/ou monumentos, fazer a árvore genealógica, quebra-cabeças, palavras cruzadas ou jogar às diferenças, etc.)
2) escreva cada uma das brincadeiras num papel e coloque numa taça/ frasco (pode até colar em pauzinhos coloridos);
3) todos os dias “na hora de brincar” vá ao “pote da diversão” que acabou de construir e escolha uma ou mais atividades para desenvolver e ter tempo de qualidade com o/a seu/sua filho/a.
Por fim, não se esqueça…
As crianças procuram a atenção dos adultos porque precisam de se sentir amadas e importantes.
Ao brincar regularmente com a criança, você preenche a sua necessidade de atenção.
Desta forma, haverá menos probabilidade de ela chamar a atenção através de comportamentos
menos positivos.
[i]Canada AHK. Report Card on Physical Activity for Children and Youth. 2013. [accessed September 2020] Available at: http://dvqdas9jty7g6.cloudfront. net/reportcard2013/Active‑Healthy‑Kids‑2013‑ ‑Report‑Card_en.pdf%0Afile:///V:/HALO/HALO Staff/Longmuir/New Literature B/AHKC2013Re‑ portCardENG.pdf.
[ii]. Cox R, Skouteris H, Rutherford L, Fuller‑Tyszkiewicz M, Aquila DD, Hardy LL. Television viewing, televi‑ sion content, food intake, physical activity and body mass index: A cross‑sectional study of preschool chil‑ dren aged 2‑6 years. Heal Promot J Aust. 2012;23:58‑ ‑62. doi:10.1071/he12058
[iii]Mazur A, Caroli M, Radziewicz‑Winnicki I, Nowicka P, Weghuber D, Neubauer D, et al. Reviewing and ad‑ dressing the link between mass media and the increase in obesity among European children: The European Academy of Paediatrics (EAP) and The European Childhood Obesity Group (ECOG) consensus state‑ ment. Acta Paediatr. 2018;107:568‑76. doi:10.1111/ apa.14136
[iv]Póvoas M, Póvoas M, Castro T, Costa M, Escária A, Miranda C, et al. O brincar da criança em idade pré‑escolar. Port J Pediatr. 2013;44:108‑12. doi:10.25754/ pjp.2013.1166
[v] Swing EL, Gentile DA, Anderson CA, Walsh DA. Television and video game exposure and the development of attention problems. Pediatrics. 2010;126:214‑ ‑21. doi:10.1542/peds.2009 ‑1508
[vi] Maras D, Flament MF, Murray M, Buchholz A, Henderson KA, Obeid N, et al. Screen time is as ‑ sociated with depression and anxiety in Canadian youth. Prev Med. 2015;73:133 ‑8. doi:10.1016/j. ypmed.2015.01.029
[vii] Tanimura, M, Okuma, K, Kyoshima K. Television viewing, reduced parental utterance, and delayed speech development in infants and young children. Arch Pediatr Adolesc Med. 2011;161:618 ‑9. doi: 10.1001/archpedi.161.6.618 ‑b.
[viii] Webster-Stratton, C. (2016). Os Anos Incríveis – Guia de Resolução de Problemas para Pais de Crianças dos 2 aos 8 Anos de Idade. Braga: Psiquilíbrios Edições