Sabia que os brinquedos não têm género?

27-11-2020 16:43 | Jun 2020

Sabia que… os brinquedos não têm género?

O sexo de uma criança é sem dúvida um fator importante para o seu desenvolvimento. Não é por acaso que uma das primeiras perguntas que se faz às mães e aos pais é se é menina ou menino. Ainda que nos primeiros meses de vida as crianças de ambos os sexos tenham características físicas semelhantes, a mãe e o pai começam logo a construir o género do/a bebé: dão-lhe um nome, vestem-no/a de cores diferentes e criam um espaço físico distintivo que é fácil para um/a observador/a externo/a adivinhar de que sexo é o/a bebé. Assim, o sexo, para além de ser um fator biológico, é também um fator social e cultural, uma vez que as pessoas tendem a reagir de maneira diferente perante uma criança do sexo masculino ou do sexo feminino. Reações essas diferentes não só ao nível de aspetos concretos, como a oferta de brinquedos, mas também ao nível da formação de expetativas de desempenho, da expressão de elogios e encorajamentos, do estabelecimento de interações verbais e não-verbais e da linguagem utilizada. Esta diferença não tem sido sinónimo de diversidade, mas sim de desigualdade, de hierarquia, de poder e de estatuto social.


A educação para a cidadania deve trabalhar-se desde a infância de forma abrangente, tal como é abrangente a forma como desde cedo as crianças integram positivamente a diversidade.


O brincar é um direito previsto na Convenção dos Direitos da Criança tem um grande significado para o desenvolvimento infantil, visto que é nas brincadeiras e na utilização de diferentes tipos de brinquedos que as crianças expressam o seu entendimento sobre a sociedade e sobre o que vivem no seu dia a dia. É preciso então que essas brincadeiras ocorram de modo que não apenas reproduzam conceitos conservadores de papeis que meninos e meninas devem exercer na sociedade, mas que criem a oportunidade de exploração de qualquer tipo de brinquedo, independentemente do sexo e não condicionados pelo género.


Se o brincar é assim tão importante, mais importante é que a criança possa diversificar as suas brincadeiras e brincar com o que quiser, da forma que quiser, quando e como quiser...


E que os pais (e a sociedade) possam aprender a aceitar, com naturalidade, que brincar é isso mesmo – brincar.


Até quando vamos continuar a pensar que existem «brinquedos de menina» e «brinquedos de menino»? Até quando vamos continuar a ver nas lojas, nos espaços comerciais, nas publicidades, as tão estereotipadas cores rosa e azul? Os brinquedos devem ser descritos e escolhidos pelas suas qualidades e não pelos estereótiposassociados.


Pense nisso...


Bibliografia:


Cardona, M. J. (coord.), Nogueira, C., Vieira, C., Uva, M., Tavare, T. (2015). Guião de Educação Pré-escolar - GÉNERO E CIDADANIA. Lisboa:CIG.