Sabia que o nosso cérebro tende a ser preguiçoso? À medida que ganhamos experiência, o mundo torna-se mais familiar e o nosso cérebro desenvolve um conjunto de padrões para interpretar a realidade. Aprende a decidir com base no percurso de vida e familiaridade da situação, poupando energia mental. Porém, são muitas as vezes em que este exercício desemboca em conclusões precipitadas e erróneas. A estes erros de raciocínio que distorcem o nosso julgamento do mundo damos o nome de atalhos/vieses cognitivos. Em tempo de pandemia, em que proliferam informações sem critério, sobretudo nas redes sociais, é crucial que estejamos atentos a esta tendência. Eis alguns exemplos:
1) O
viés do enquadramento – A forma como dispomos a informação estatística, com os mesmos resultados, influencia a nossa percepção. Ora reparem:
A vacina A tem 98% de probabilidades de sucesso. A vacina B tem 2% de probabilidade de falhar.
Que vacina tenderia a escolher?
2)
Disponibilidade VS Probabilidade – Tendemos a sobrestimar eventos com pouca probabilidade de ocorrerem. Se um avião cai num voo entre Londres e Singapura, logo cremos é um meio de transporte perigoso. Provavelmente, pensamos nisto enquanto viajamos confortavelmente no nosso carro, ignorando que, em 2020, só em Portugal se registaram 26501 acidentes, ao passo que no mundo todo houve, nesse mesmo ano, 8 acidentes aéreos.
3) O
viés da ancoragem – é uma técnica muito utilizada em marketing, por isso, atenção! Serve-se da utilização de um preço aleatório para aumentar o valor de um objecto.
a) Casaco Vermelho –300 euros b) Casaco Vermelho –1000 euros SÓ HOJE –300EUROSOnde sente que fez melhor negócio?
4) O
viés da confirmação – Procurar entre a informação disponível aquela que confirma a nossa crença inicial. Por exemplo, um respeitável vendedor de automóveis partilhou-lhe que há cada vez mais carros da marca Peugeot na cidade de Viana do Castelo e, de facto, a partir dessa hora, começamos a reparar que carros são dessa marca, concluindo que, de facto, vemos muitos mais do que antes víamos!
Existem outros importantes atalhos a ter em conta, que aqui não se descrevem para não prolongar o texto em demasia. Mas, se tiver curiosidade, compre o
livro Pensar, Depressa e Devagar, do psicólogo Daniel Kahneman , onde ele explica estes processos e o modo de evitar que dominem a maior parte das nossas decisões.
E lembre-se: antes de concluir o que quer que seja, verifique se o seu cérebro não está a ser preguiçoso!