Sabia que existem inúmeras tradições gastronómicas para celebrar o Natal?

24-12-2021 10:39 | 4 anos atrás


 

Tradições gastronómicas pelo mundo!

Tempo frio, lareiras acesas, bacalhau com batatas, peru assado, polvo, filhoses, rabanadas, bolo-rei, fatias douradas e aletria. Temos também iluminações de Natal, lojas decoradas, ruas mais aconchegantes, músicas de fundo. Um Natal à portuguesa... Mas não é bem assim em todo o lado. As tradições gastronómicas têm as suas particularidades pelo mundo!

Nova Iorque vive intensamente o Natal. À mesa, e não muito diferente do que acontece no Dia de Ação de Graças, há peru assado com o afamado puré de batata, biscoitos de gengibre com formas de homem grande, tartes de maçã, noz-pecã, batata-doce e bolo de chocolate. Mas, na verdade, pode haver de tudo um pouco. Os Estados Unidos são um país multicultural e as mesas de Natal repercutem essa diversidade de gentes e o respeito pelas origens. Por isso, quase nada é proibido. Frango, massas, carnes, hambúrgueres, pratos vegetarianos.

Já em Itália reina o panetone! Este bolo de Natal (que surgiu no Norte, em Milão, e que se espalhou por todo o país) tem um subtil sabor a baunilha. O recheio é generoso com frutas secas, damasco, laranja, figo, maçã, limão, uva-passa. É o típico doce italiano de Natal. A sua história não é clara. Terá sido um padeiro que quis impressionar a filha do patrão com um doce ou um empregado de cozinha que, para safar um bolo queimado, levou ao forno uma massa com frutas misturadas e apresentou à mesa da corte de Ludovico no século XV. Quanto a bolos, Itália tem também o pandoro, pão de ouro, outro doce que demora tempo a fazer, macio de cor dourada, sem frutos, e coberto com uma camada de açúcar branco. Mas, se quiser mergulhar na verdadeira tradição natalícia de Piemonte, com Turim como capital, temos ao jantar do dia 24 ou ao almoço do dia 25, para entrada, vitela com molho de atum, pimentos, salada russa e anchovas com molho verde. Depois, entra o “agnolotti del plin”, ou seja, macarrão com carne dentro, ou Tajarin com trufas e, como segundo prato, “brasato al Barolo”, carne cozida em vinho da região ou, então, um misto de carnes e legumes cozidos. Para finalizar, além do afamado panetone, há o tradicional tiramisu ou um doce semelhante a bolas de massa recheadas com creme de pasteleiro.

Feriado no Reino Unido, de manhã abrem-se as prendas; o resto do dia é para reconfortar o estômago. Com tortas recheadas de carne moída para abrir o apetite e, antes de a refeição começar, os crackers, uma espécie de bombons gigantes, não comestíveis, que têm dentro um brinde ou uma coroa de papel. O peru é o prato principal, acompanhado com batatas assadas, legumes cozidos e com um denso molho feito com o caldo suculento do assado da ave. Os bolos também são densos e recheados, como o Christmas Pudding, com frutas secas e molho de conhaque no interior. O pudim de ameixa também tem muita saída. A quadra continua no dia seguinte. A 26 de dezembro é o Boxing Day, feriado no país e início da época de saldos. Mas não só. A bola rola em vários relvados ingleses.

Atravessando o Canal da Mancha, o Natal francês tem uma dose de glamour e de exotismo. Ostras e ganso, peru assado com castanhas, escargots (iguaria de caracóis), salmão fumado e ainda foie gras fatiado, acompanhado por champanhe, pois claro. Por lá, as pastelarias são conhecidas pelo extremo bom gosto e os doces de Natal não lhe ficam atrás. Bûche de Noel, o tronco de Natal, é uma sobremesa obrigatória na ceia. Em forma de tronco, recheado com frutas ou com castanhas. Os chocolateiros franceses têm trabalho adicional nesta época com doces feitos especialmente para a ocasião. Nas suas mãos, as massas ganham contornos condizentes com a época. Biscoitos de Natal, frutos secos encaixados em bases de chocolate, nougats brancos ou pretos. Na Alsácia, por exemplo, há uma espécie de panetone. Chamam-lhe “stollen”.

Espanha também não deixa créditos em mãos alheias. Se é Natal, veste-se como o Natal, decora-se como o Natal, canta-se como o Natal. À mesa, há presunto pata negra, marisco e peixe, paella, cordeiro assado e torrone, os torrões com amêndoas e mel, e a rosca de reis. Depois da ceia de 24, vai-se à missa do galo, mas os presentes só são abertos no ano seguinte, a 6 de janeiro, Dia de Reis, feriado nacional. É preciso esperar.

Do outro lado do Atlântico, com o oceano pelo meio, o Natal é quente. No Brasil, há calor, é verão, é tempo de calções e chinelo no pé. À mesa, peru ou chester, que é um tipo especial de frango brasileiro com bastante carne nas coxas e no peito. Há também arroz, feijão, rabanadas e farofas. Doces, muitos doces. Mais cerveja do que vinho – o calor explica a preferência. Há samba, vontade de dançar e cantar, e o Natal é uma festa. No dia 25, quem não quiser regressar à cozinha, aproveita o que sobrou da mesa no dia anterior.

Num outro continente, África celebra o Natal também à sua maneira. Há hábitos que perduram e o bacalhau cozido e as rabanadas encontram-se em várias mesas! O funge, a mistura de farinha de mandioca ou milho com água, e pratos vegetarianos com mandioca também entram no menu angolano. É um Natal quente, a árvore é normalmente um cipreste, há missa do galo e troca de prendas. O cabrito assado é muito apreciado em Moçambique. Os cabo-verdianos preparam um cozido natalício. É um continente vasto, como vastas são as tradições por tantos países.

Na Arábia Saudita, o Natal não tem espaço no calendário. Não há tradições nem raízes. Tal como na China, são os turistas e imigrantes que vão alimentando à sua maneira a época, católica por excelência, num país islâmico. Não há feriado para ninguém. Todos trabalham a 24 e 25 de dezembro.



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