Sabia que existem disfunções sexuais induzidas por substâncias?
A Associação Portuguesa de internos de Psiquiatria (APIP) e a Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC) organizaram o Ciclo de Webinars Mensais intitulado Sexualidade e Saúde Sexual, e no dia 25 de fevereiro 2021, a oradora convidada foi a Dra. Susana Renca, psiquiatra e membro da SPSC, desempenha funções de Assistente Hospitalar no CRI de Psiquiatria do CHUC e Assistente Convidada da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que abordou o tema “Dependências e saúde sexual” que se encontra disponível em formato vídeo para consulta na página do Facebook da SPSC _ https://fb.watch/3UCDizooYN/ Deixamos algumas notas apresentadas pela Dra. Susana Renca que merecem a nossa reflexão:
A Dra. Susana abordou em particular as disfunções causadas por substâncias que não são medicamentos, em particular dos psicofármacos. São vários os fármacos, por exemplo o anti-hipertensores e tantos outros.
As disfunções sexuais devem ser separadas das alterações transitórias do comportamento sexual que estão, muitas vezes, relacionadas com problemas interpessoais, com stress, com acontecimentos de vida, circunstâncias e contextos. Falamos de disfunções sexuais se as queixas tiverem uma persistência com uma duração superior a 6 meses e se se associarem a um significativo mal-estar, e se se definirem claramente como uma preocupação para aquela pessoa. As disfunções podem surgir ao longo da vida e estarem presentes desde as primeiras experiências sexuais ou podem ser adquiridas após um período de comportamento sexual perfeitamente normal.
A díade sexo-drogas não surge por acaso! A tríade Sexo-Drogas-Rock n’Roll, esta associação surge em termos históricos, desde a década de 50 com o início da chamada “revolução sexual” e as décadas de 60 e 70 são elas também marcadas por essa mesma revolução sexual.
A ciência diz-nos que o Sexo, as drogas e a música estão ligadas à mesma região cerebral. A espécie humana para a sua sobrevivência depende de um circuito de recompensa, deve considerar-se que o sexo como as drogas de abuso têm uma via neuroquímica comum num circuito de recompensa do cérebro.
Sabemos também que uso de drogas psicoativas tem acompanhado toda a história da humanidade. Podem pensar nos efeitos psicoativos de drogas usadas como potenciadores sexuais, como estimulantes sexuais, que vão promover uma melhor performance e satisfação sexual e também tratar dificuldades sexuais. Por outro lado, podemos pensar no impacto negativo do uso de substâncias. Em paralelo com estas duas visões vão gravitar uma série de questões como os comportamentos sexuais de risco, Chemsex e outros.
O recurso a substâncias afrodisíacas acompanha-nos à milénios, antes o recurso ao corno de rinoceronte, ostras entre outras. Não são só as ditas substâncias naturais que são usadas como estimulantes. Vamos começar por falar da Metanfetamina que tem ganho reputação no sentido em que pode aumentar o desejo e a excitação sexual, a intensificação orgásmica, prolongar a relação sexual, associa-se a euforia, a desinibição, permite um aumento do limiar da dor. Em doses mais elevadas os efeitos podem ser particularmente nefastos! Quando é consumida com este objetivo de ser estimulante sexual é comum haver a repetição dos consumos com uma série de riscos associados, desde ataques de pânico a psicoses agudas. Por seu turno, o uso prolongado pode associar a disfunção erétil, a ejaculação retardada.
São ainda analisados os efeitos do MDMA, ecstasy; nitritos de alquilo; álcool; nicotina; cannabis; cocaína; opióides e também as substâncias usadas no tratamento de manutenção (buprenorfina vs metadona).
Os consumidores de substâncias frequentemente apresentam dificuldades/disfunções sexuais. Por vezes, prévias ao início dos consumos, outras como resultado da manutenção dos mesmos.
Estas substâncias vêm reforçar as dificuldades relativas à intimidade e sexualidade, muitas vezes aquilo que é um desinteresse pelas práticas sexuais se não houver o recurso a estas substâncias, o poder agravar ou induzir a disfunção sexual; desejo hipoativo que muitas vezes antecede e motiva as práticas e a longo prazo vai condicionar a sua manutenção.