Atualmente, no debate sobre bem estar no trabalho, um dos temas centrais é a conciliação entre a vida profissional e familiar. Em tempos nos quais as exigências profissionais crescem e os ritmos de vida se intensificam, cada vez mais trabalhadores e trabalhadoras procuram empresas que compreendam e apoiem as suas necessidades familiares. Aquilo que há uns anos atrás era visto como «regalia» ou como «extra» passou a ser, para muitos, um critério determinante na escolha e permanência num determinado posto de trabalho. Vários estudos confirmam que organizações que adotam políticas de apoio à família são percebidas como mais humanas, mais responsáveis e mais atrativas. Entre essas medidas destacam-se: horários flexíveis, modelos híbridos de trabalho, dias de folga para assuntos familiares, programas de apoio à parentalidade, apoio financeiro à educação ou aos cuidados infantis, assim como, iniciativas de saúde mental e bem estar.
O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico [OCDE] «Doing Better for Families» (2011) é claro ao apontar que políticas de conciliação entre trabalho e família beneficiam não só quem trabalha, mas a própria produtividade das empresas e a economia como um todo. O relatório destaca que empresas que promovem estas práticas têm maior facilidade em reter os seus talentos e em reduzir o absentismo laboral. As pessoas sentem-se mais valorizadas, mostram maior lealdade à organização e revelam níveis superiores de motivação. Em contrapartida, ambientes que desconsideram a dimensão familiar tendem a gerar maior desgaste emocional, rotatividade e insatisfação. O equilíbrio entre a carreira e a vida familiar é uma condição essencial para que se possam assumir projetos de parentalidade com segurança e estabilidade. Aqui, o papel das empresas é complementar ao das políticas públicas, contribuindo para uma sociedade mais equitativa e sustentável.
Importa salientar que estas políticas não beneficiam apenas pais e mães. Um ambiente de trabalho que respeita e valoriza a vida familiar, favorece qualquer trabalhador/a da empresa, já que promove uma cultura de equilíbrio, confiança e respeito pelas diferentes dimensões da vida de cada pessoa. Além disso, tais medidas são particularmente eficazes para atrair e reter jovens talentos, que valorizam profundamente a autonomia, a qualidade de vida e o propósito no trabalho.
Esta reflexão ganha ainda mais atualidade à luz do relatório mais recente da OCDE – «A Sociedade em Resumo 2024: Indicadores sociais da OCDE», que analisa os desafios sociais enfrentados pelos países membros, com destaque para a situação de Portugal no que diz respeito à conciliação entre vida profissional e familiar. O relatório sublinha que Portugal continua a apresentar indicadores abaixo da média da OCDE nesta matéria, e reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes de apoio à parentalidade, como licenças remuneradas adequadas e serviços de creche acessíveis e de qualidade. Além disso, aponta a urgência de promover um mercado de trabalho mais flexível e de avançar no combate às desigualdades de género, criando condições para que homens e mulheres possam partilhar de forma mais equitativa as responsabilidades familiares.
Hoje, cuidar das pessoas é mais do que uma responsabilidade social – é uma estratégia inteligente. Empresas que compreendem que o capital humano é o seu principal ativo investem não só na produtividade imediata, mas também na sustentabilidade a longo prazo. E isso passa, inevitavelmente, por reconhecer que as pessoas que trabalham nas organizações são também pais, mães, filhos e filhas que têm famílias e prestam cuidados a outras pessoas, e que a sua realização profissional depende, em grande parte, do equilíbrio que conseguem manter com a vida pessoal.
A ideia de que apoiar as famílias é investir no futuro deixou de ser apenas uma teoria. É, cada vez mais, uma evidência prática. E as organizações – públicas ou privadas – que o fazem estão já a colher os resultados desse investimento.
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