Porque é que os adolescentes são especialmente vulneráveis?

11-09-2026 21:09 | 5 horas atrás
Todos os anos mais de 800 mil pessoas põem termo à vida e um número muito superior faz tentativas de suicídio. Cada suicídio é uma tragédia que afeta a família e a comunidade com efeitos a longo prazo em quem vive de perto com esta realidade. Surge em qualquer faixa etária sendo uma das maiores causas de morte na faixa etária dos 15 aos 29 anos. Em Portugal, existe uma distribuição geográfica marcada, que é tradicionalmente menor no Norte e maior na região Sul, embora esta variação tenha vindo a atenuar-se. O suicídio é um importante problema de Saúde Pública que pode ser prevenido com intervenções multidisciplinares adequadas baseadas na evidência e habitualmente pouco dispendiosas.

Grupos de risco
O risco entre suicídio e doença mental (particularmente Síndrome Depressivo e Perturbação do Uso de Álcool) está bem estabelecido nos países desenvolvidos. No entanto, muitos suicídios decorrem de situações de impulsividade em momentos de crise com dificuldade em lidar com fatores stressantes externos, como dificuldades financeiras, roturas conjugais ou dor e doença crónicas. Por outro lado, situações de conflito, catástrofes, violência, abuso ou luto e o próprio isolamento social estão fortemente associados a comportamentos suicidários.

Porque é que os adolescentes são especialmente vulneráveis?
É conhecido que a adolescência é uma fase muito conturbada, onde existem muitos conflitos internos, busca de identidade, onde os pares são uma maior referência do que os pais e muitas vezes há alguma dificuldade em encontrar um lugar na sociedade, no contexto dos amigos, ou dos pares. Para além disso, surgem imensas dúvidas acerca do futuro, o que é que querem fazer, para onde vão, quais serão as melhores decisões. Eles têm de tomar decisões com idades muito prematuras, escolher áreas, e pensar num curso superior enquanto profissão.
Portanto, às vezes, surgem maiores inseguranças e mais dificuldade em gerir tudo aquilo que são as dúvidas e as próprias etapas da adolescência – que também implica as primeiras saídas e as questões afetivas no sentido romântico. Às vezes, é muito difícil encontrar um caminho e, portanto, eles têm uma propensão maior ao sofrimento emocional. Daí que acabem por preferir o sofrimento físico. Antes até da ideação suicida, antes do próprio suicídio, há muitíssimos casos de comportamentos autolesivos. Que, na grande maioria, não têm propriamente a intenção do suicídio, mas têm várias funções. Uma delas é aliviar a dor da alma, porque a dor do corpo é tão insuportável que acaba por mascarar aquela dor emocional. Depois, também são gritos de chamada de atenção, porque os adultos andam muito distraídos na sua vida, os pais têm pouco tempo para a parentalidade e muitos deles demitem-se dessa função.

A saúde mental começa na infância
A saúde mental é parte fundamental da saúde e do desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes. Cuidar da saúde mental desde cedo contribui para fortalecer a autoestima, desenvolver capacidades para lidar com dificuldades, estabelecer relações saudáveis e construir ferramentas que permitam enfrentar os desafios ao longo da vida. A prevenção não começa apenas quando existe uma situação de crise. Começa muito antes, através do afeto, da proteção, da escuta, do diálogo e da criação de ambientes seguros onde crianças e adolescentes possam expressar o que sentem sem medo de serem julgados.
. Promover a saúde mental durante a infância e a adolescência é também investir na prevenção ao longo da vida. Crianças e adolescentes que crescem em ambientes onde existe diálogo, apoio emocional e acesso a cuidados de saúde mental têm melhores condições para desenvolver competências de enfrentamento e procurar ajuda quando dela necessitam.
Por isso, famílias, escolas, comunidades e instituições têm um papel fundamental na construção de redes de proteção que permitam identificar precocemente situações de sofrimento e encaminhar as crianças e os adolescentes para o apoio adequado.

Se alguém dá indícios de que quer cometer suicídio, oiça e tenha em conta as suas preocupações. Não tenha medo de fazer perguntas sobre os seus planos. Mostre-lhe que se preocupa e que essa pessoa não está sozinha. Encoraje-a a procurar ajuda profissional imediatamente. Não a deixe sozinha.

• Jovens e suicídio: “São um grupo de risco justamente por terem pouca noção do risco” |Revista Sábado
•  Suicídio: a importância da prevenção  | Lusiada
• A saúde mento começa na infancia | ICCA - Instituto Caboverdiano da Criança e do Adolescente

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